DOENÇAS NEUROCOGNITIVAS
Os Transtornos Neurocognitivos (TNCs), em sua ampla etiologia, apresentam-se em grande parte com declínios cognitivos e funcionais, bem como com alterações anatomofisiológicas. Assim, a Neuropsicologia abrange uma teoria multidisciplinar e contribui em avaliar sinais, sintomas e níveis do TNC, além de em seu diagnóstico, nas pesquisas e nas estratégias de intervenção. Nesse viés, esta monografia é uma revisão de literatura integrativa e tem como objetivo discutir acerca dos TNCs, com ênfase na Doença de Alzheimer (DA), considerando suas características de neurodegeneração e impactos na memória e outros domínios cognitivos e funcionais. Ao discorrer sobre tais aspectos, propõe-se discutir as possíveis intervenções do neuropsicólogo neste eixo, como se avalia os processos para o diagnóstico e a reabilitação, os impactos emocionais provocados no sujeito e em seus cuidadores, considerando os multifatores envolvidos nos TNCs. Desse modo, a compreensão do desenvolvimento dos TNCs pelo neuropsicólogo é essencial, portanto, este estudo discute acerca de aspectos anatômicos, biológicos, químicos, sociais e psicológicos.
BENEFÍCIOS DA ESTIMULAÇÃO COGNITIVA DE IDOSOS COM DOENÇA DE ALZHEIMER
O presente artigo analisa os benefícios da estimulação cognitiva em idosos diagnosticados com Doença de Alzheimer, considerando o crescimento da população idosa e o aumento dos casos de demência no cenário mundial. A Doença de Alzheimer caracteriza-se por um processo neurodegenerativo progressivo, que compromete a memória, as funções cognitivas e a autonomia do indivíduo. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, realizada a partir da análise de estudos publicados entre 2009 e 2019 em bases de dados científicas. Os resultados evidenciam que a estimulação cognitiva, por meio de atividades como jogos, exercícios de memória, musicoterapia, dança e práticas físicas, contribui significativamente para a melhora do desempenho cognitivo, redução de sintomas comportamentais e promoção da qualidade de vida dos idosos. Além disso, destaca-se a importância da plasticidade cerebral, que permite adaptações do cérebro diante de novos estímulos e aprendizados. Conclui-se que a estimulação cognitiva, associada ao tratamento medicamentoso, pode auxiliar na estabilização ou até na melhora dos déficits cognitivos, sendo fundamental a participação de familiares e cuidadores nesse processo terapêutico.
QUAIS OS PRIMEIROS SINAIS?
Os primeiros sinais de um possível transtorno neurocognitivo maior se dá quando o idoso passa a ter falhas constantes de memória, mudança brusca de humor sem um motivo aparente e dificuldade de comunicação. Outro sinal comum é quanto a perda de noção quanto ao tempo e ao espaço, e a perda de habilidades para as atividades rotineiras, como por exemplo cozinhar, tomar remédios e administrar contas ou dinheiro, comprometendo as atividades instrumentais da vida diária (AIVD’s). As atividades instrumentais da vida diária (AIVD’s) são aquelas mais complexas que incluem por exemplo o preparo de refeições, o uso do telefone e até mesmo de um smartfhone, gerenciamento da própria medicação, administração do dinheiro e do pagamento de contas, manutenção doméstica, fazer compras, enfim, tarefas que são aprendidas normalmente na adolescência e que promovem autonomia ao longo da vida. A preservação desta independência está diretamente ligada à promoção da autoestima e qualidade de vida da pessoa idosa.
A IMPORTÂNCIA DO SUPORTE FAMILIAR NO CUIDADO À PESSOA IDOSA NA ATENÇÃO BÁSICA
O envelhecimento é um processo natural que com o avanço da idade traz mudanças fisiológicas e cognitivas que afetam a mobilidade motora e retardam os reflexos. No Brasil, pessoas com 60 anos ou mais são consideradas idosas, conforme o Estatuto da Pessoa Idosa, que garante seus direitos (Brasil, 2003). Analisar a importância do suporte familiar no cuidado à pessoa idosa na Atenção Básica. Trata- se de um estudo quantitativo, transversal e descritivo, realizado com 21 cuidadores familiares que possuem idosos, de uma Estratégia de Saúde da Família localizada em uma cidade de pequeno porte ao sul de Minas Gerais. A coleta de dados foi realizada por meio de questionário estruturado com oito perguntas que analisaram a realidade dos cuidadores acerca dos cuidados relacionados aos idosos. As tabelas analisadas demonstram a complexidade e a fragilidade do cuidado informal. Embora a maioria dos cuidadores (66,66%) não declare dificuldade, o elevado percentual de 33,33% manifesta insegurança ou dificuldade e expõe a carência de preparo técnico para lidar com tarefas complexas, como as atividades de Mobilidade, Supervisão e Acompanhamento a Consultas (22,9% cada), que são as mais realizadas e exigentes. A insustentabilidade do cuidado isolado é confirmada pela taxa de 76,19% de cuidadores que buscam ajuda, um reflexo direto da sobrecarga e da dependência de uma rede que é prioritariamente informal, o que, embora alivie momentaneamente, perpetua a invisibilidade do trabalho e o risco de esgotamento físico e emocional. A pesquisa evidencia que o cuidado à pessoa idosa na Atenção Básica está sustentado por uma rede familiar com graves marcadores de vulnerabilidade. O perfil do cuidador é predominantemente feminino, com idade avançada e baixa escolaridade, caracterizando uma situação de cuidado interidosos e fragilidade social. A complexidade do cuidado é alta, exigindo tarefas exaustivas de mobilidade e supervisão, o que, somado à insegurança e à falta de conhecimento técnico sobre a dependência e o manejo de acidentes, gera sobrecarga e risco. O fato de a maioria buscar apoio externo confirma que o modelo de cuidado exclusivo da família é insustentável. A conclusão primordial é que a assistência familiar, embora indispensável, é insuficiente e desqualificada. A intervenção urgente da Atenção Primária é necessária para formalizar o suporte, oferecendo capacitação contínua e integrando os cuidadores a uma rede estruturada, conforme as diretrizes de políticas públicas para proteger tanto o idoso quanto quem o assiste.